Por JOANA CAPUCHO, 22 de Agosto de 2009

No perímetro urbano da cidade de Ovar, no largo 1º de Dezembro instalado numa quinta, funciona o Centro Hípico de Ovar (CHO), empresa criada há 11 anos para ensino de equitação, treinos, manutenção de montadas de particulares (de competição ou recreio) e hipoterapia. Há cerca de um mês, a vida pausada do Centro Hípico foi fortemente perturbada pela agitação de gruas e maquinaria pesada de construção. Era o início das obras de construção de um viaduto sobre a Linha Ferroviária do Norte nessa zona, a cargo da Refer (Rede Ferroviária Nacional) e da Câmara Municipal de Ovar e que atravessa a área do CHO.
As obras vieram alterar o próprio espaço do CHO: os balneários e casa de apoio ficaram separados da valência principal; a área de aves exóticas e outros animais que fazia parte do antigo centro educativo, no início da empresa, vai ser arrasada, tal como 20% da área de dois picadeiros, que perderão funcionalidade, segundo a empresária do CHO, Ruth Henriques.
Da totalidade dos 35 cavalos que viviam no Centro Hípico de Ovar, 10 já foram retirados pelos donos e os restantes têm a sua psicologia alterada perante o ruído, o pó e a azáfama das obras. Para comprovar, o CHO para a imprensa apresenta um relatório médico do veterinário Miguel Viegas: “um estado de stress permanente desemboca em quadros de cólicas agudas e eventualmente morte ou invalidez permanente. Desde que começaram as obras já foram contabilizados três quadros clínicos de cólicas nervosas e um caso de inflamação aguda”. O trabalho de hipoterapia ficou cancelado. “Tínhamos mais de 20 crianças na hipoterapia, de entidades públicas e privadas, mas deixamos de ter condições “, diz Ruth Henriques., que ontem recebeu da Câmara de Ovar a promessa de tentar resolver o problema com a Refer.
Proprietária quer indemnização
Ruth Henriques diz-se a empresária do CHO, mas não a proprietária do terreno que lhe é arrendado. Fonte da Refer disse ao DN que expropria o proprietário do terreno, mas não se propõe indemnizar a CHO. mas, segundo Ruth Henriques, foi feita uma proposta pela Ferbritas, empresa que processa as expropriações da Refer, em que os donos do CHOreceberiam um montante, pago em duas prestações, para transferir a valência para outro local. “A Refer recusou e disse existirem condições para o CHO continuar no local”, acrescentou a empresária de Ovar. Fonte da Refer disse terem sido tomadas providências no sentido de minimizar os efeitos das obras: instalação de vedações nos limites da expropriação, acessos independentes para os utentes do centro e mobilização constante de um equipamento de rega dos solos para evitar o levantamento da poeira.
Texto de Joana Capucho (Fonte: Diário de Notícias)
Foto de Ana Jesus Ribeiro
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